Perder um ídolo não é só dizer adeus a um artista — é despedir-se de uma parte da própria história. Especialistas afirmam que o luto de fãs deve ser validado: ídolos representam sonhos e ideais, e perder um grande nome, como do rock clássico, por exemplo, é como perder um velho amigo, alguém que ajudou a moldar gerações.
Uma matéria publicada pela Folha de S. Paulo ouviu especialistas para saber se um fã pode vivenciar o luto quando perde um ídolo. Luciano Bregalanti, pesquisador do Instituto de Psicologia da USP e autor de “Luto e Trauma” (Ed. Blucher), relaciona a perda de um ídolo a um processo psíquico de reorganização subjetiva. “Projetamos nessa pessoa nossas próprias aspirações… Há uma perda de uma parte de nós que está ligada àquela imagem ou ideal”.
A psicóloga especializada em terapia cognitivo-comportamental Mayara Siqueira, destacou que esses sentimentos associados a essa perda tendem a ser subjugados. “A sociedade espera que certos lutos sejam sentidos e outros não, ou que tenham uma elaboração mais prolongada e, na realidade, cada luto é individual, não é menos válido ou inferior, ele só se manifesta de uma forma diferente”, diz.
Por isso, a zombaria e o descrédito nesses casos tornam a rede de apoio deficitária, diz Siqueira. “Essa pessoa enlutada encontra menos espaço para poder vivenciar suas emoções, expressar as reações do pesar e isso traz ainda mais sofrimento”.